Construções funerárias ao longo da História

02/11/2011

Foi na Mesopotâmia, onde hoje é o Iraque, que a invenção do tijolo possibilitou construções elaboradas. Os povos antigos que habitavam a região entre os rios Tigre e Eufrates foram os primeiros a erguerem construções para abrigar seus mortos. Nesses locais, eram depositados objetos pessoais do morto, que o acompanhariam na vida após a morte.

Para os antigos Hebreus, os túmulos costumavam ser demarcados com pilhas de pedras, que eram repostas, ao longo dos anos, sendo o mais famoso destes o túmulo de Raquel, segunda esposa do patriarca Jacó. A Caverna de Macpela, onde estão sepultados Abraão, Isaque e Jacó, é local de peregrinação para judeus, árabes e cristãos ainda hoje.

Santuário erguido em Macpela, túmulo dos patriarcas hebreus

No Egito, as construções funerárias alcançaram sua maior importância; os faraós consideravam a construção de suas câmaras mortuárias como a obra mais importante que realizariam em vida. A imponência das pirâmides, câmaras e cidades inteiras edificadas apenas para fins funerários impressiona até hoje, e os conhecimentos adquiridos pelos egípcios em seus ritos funerários fizeram deles um dos povos mais cientificamente avançados de toda a Antiguidade. Na América, construções e rituais similares aos egípcios eram praticados pelos povos maias, astecas e incas.

Pirâmides egípcias (à esquerda) e pirâmide asteca

Durante a Idade Média, na Europa, as igrejas eram o espaço destinado ao sepultamento. Cemitérios e criptas eram agora considerados solo sagrado, e os mausoléus, monumentos e lápides elaboradas, com suas esculturas e inscrições, tinham o papel de eternizar a memória do morto.

Os cemitérios medievais eram construídos nos pátios das igrejas

Ainda hoje, marcamos o falecimento de nossos entes queridos de diversas formas; algumas físicas, como placas e lápides, ou ainda com o plantio de uma árvore, outras menos palpáveis, como os rituais pessoais de despedida, ou o próprio luto. Não importa como, onde ou de que forma, sempre houve e sempre haverá alguma maneira de se recordar aqueles que partiram.

Fontes: Mistérios Antigos, História Viva e CafeTorah

El Dia de los Muertos – Do México para o resto do mundo

31/10/2011

No México, o 2 de Novembro marca uma das festas folclóricas mais importantes do país, o Dia de los Muertos, celebração de origem pré-colombiana que foi considerada, pela Unesco, Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Diferente das celebrações do Dia de Finados brasileiro, onde prevalecem as manifestações de saudade e religiosidade, no México a data é comemorada com grandes festejos; comida, bebida, música, danças e representações engraçadas e caricatas da morte (caracterizada pela personagem La Catrina). Em menor escala, algumas comunidades de imigrantes mexicanos celebram a data em outros países.

Las Catrinas (imagem: Wikipédia)

Há 12 anos, o cemitério Hollywood Forever, em Los Angeles, levou a festa para além da fronteira. Com atores e dançarinos fantasiados, mariachis (músicos tradicionais mexicanos), e outras ações relacionadas, o cemitério reproduz a festa com riqueza de detalhes. Este ano, a festa foi realizada no dia 22 de outubro. No vídeo abaixo, imagens da festa do ano passado.


Fonte: ladayofthedeath.com e Wikipédia

A Alemanha mudando seus rituais

26/10/2011

Nos últimos anos, vem crescendo na Alemanha a demanda por um novo tipo de serviço funerário. Saem músicas sacras e clássicas, entram canções de pop e rock; saem os sermões dos pastores, entram depoimentos voluntários e improvisados de pessoas próximas; saem as grandes cerimônias e entram ritos mais simples, com maior envolvimento de familiares e amigos.

Instituto Pütz-Roth, Alemanha

“O mais importante é que aqui não são os mortos a ocupar o primeiro plano, mas sim aqueles que têm que seguir vivendo com a perda de um ente querido. Inspiro-me no pensamento da poetisa judia alemã Mascha Kaléko, que expressou isso de forma maravilhosa: ‘Só se morre a própria morte. A dos demais, tem-se que viver'”, diz o responsável pelo Instituto Pütz-Roth, uma das empresas voltadas a essas novas práticas funerárias.

Entre as práticas mais comuns estão as sepulturas e urnas personalizadas, balões de gás soltos ao final das cerimônias, e o espargir das cinzas em bosques, sobre as raízes de árvores.

Jardim funerário em Bergish-Gladbach

Fonte: DW-World

O ritual romeno, uma tradição milenar

14/10/2011

Recentemente, em um encontro com o primeiro-ministro da Romênia, o príncipe Charles da Grã-Bretanha afirmou admirar os rituais do funeral romeno. E não é por menos; o ritual tradicional de sepultamento praticado na Romênia é o mais próximo, atualmente, do antigo ritual praticado no Império Romano.

Pelas tradições romenas, o ritual é iniciado antes mesmo da morte; em seus últimos momentos de vida, a pessoa deve ser assistida por um familiar ou amigo que mantenha em sua mão uma vela acesa. Após o falecimento, o corpo é cuidadosamente banhado, embalsamado e maquiado, e vestido com suas melhores roupas – no caso de moças solteiras, elas são vestidas de noivas – e seus tornozelos são atados um ao outro. O velório é realizado em casa, e costuma durar três dias. Na segunda noite após o falecimento, um padre realiza o primeiro cerimonial, com a leitura dos “Pilares” (Stâlpii, trechos do Novo Testamento), a fim de que o espírito compreenda que não pertence mais a este mundo, e comece a se desapegar do plano material.

Cemitério romeno

No terceiro dia, ocorre o sepultamento ou a cremação. A faixa que atava os tornozelos é, então, removida e queimada. Sobre a boca, é colocada uma moeda, para o espírito poder pagar o pedágio no outro mundo, e o caixão não poderá ser carregado por membros da família, apenas por amigos, vizinhos ou desconhecidos.

Os romenos acreditam que o espírito permanece neste mundo ainda por quarenta dias após a morte, durante os quais poderá ser visto em sonhos e fazer pedidos e recomendações a seus familiares. No quadragésimo dia, é realizada uma festa chama Pomana, com comida, bebida e celebração da vida e da memória da pessoa que partiu. Na Pomana, o luto se encerra, pois a alma é liberta deste mundo, e recordam-se com alegria as realizações e características da pessoa. A Pomana também é realizada a cada ano, até o sétimo, após o falecimento.

Celebração da Pomana

Fonte: Misodor

Quarup: A despedida dos grandes guerreiros do Xingu

02/09/2011

Você viu recentemente aqui no blog In Memoriam algumas curiosidades sobre os funerais Havaiano e Japonês. Hoje, falaremos um pouco sobre o Quarup (ou Kuarup), cerimônia de despedida realizada por diferentes tribos indígenas brasileiras que habitam o Parque do Xingu.

O Quarup é uma das tradições mais importantes para os índios do Xingu, reservada apenas para grandes líderes, guerreiros ou descendentes de linhagem nobre. A mitologia indígena dá conta de que o ritual se iniciou quando Mavutsinim, o criador, andava sobre a Terra, e que foi ele que ensinou a seus filhos essa tradição – daí que apenas os descendentes de Mavutsinim têm direito a essa honra.

No Quarup, cada pessoa homenageada é representada por uma tora de madeira (também chamada quarup), de cerca de 1,60 metros de altura. Os quarups são fincados no chão da aldeia, e pintados e enfeitados pelas famílias dos mortos, que acendem, diante deles, uma pequena fogueira. Na presença dos quarups, os índios choram, cantam, dançam e lutam, ao som dos maracás, instrumento feito de cabaça com objetivos místicos.

O ritual dura cerca de dois dias. Ao final da cerimônia, os quarups são lançados no rio, simbolizando a libertação da alma daqueles que partiram e marcando, para a família, o fim do período de luto.

Fontes: Jangada Brasil e Desvendar

O funeral havaiano

27/07/2011

Você já viu aqui no blog como são os funerais japonês e ganês. Hoje, falaremos sobre as tradições havaianas de despedida.

Os funerais havaianos são, geralmente, realizados à tarde ou ao pôr do sol. Podem ser tanto ao ar livre quanto no interior das casas, e sua principal característica é a rememoração da vida e dos feitos da pessoa que se foi.

A família, tradicionalmente, é a responsável pelos preparativos do funeral; caso nenhum familiar esteja presente, cabe aos amigos mais próximos do falecido a tarefa de preparar a comida, produzir os adereços de flores que os convidados usarão (como colares e grinaldas), e narrar os acontecimentos marcantes da vida do morto. Nos funerais modernos, é comum a exibição de vídeos e fotos da pessoa.

Os familiares e amigos geralmente usam branco, ou estampas florais, tipicamente havaianas, sendo que o preto é evitado. A música está sempre presente, seja com corais, bandas ou simplesmente o som do ukelele, pequeno instrumento de cordas similar a um cavaquinho.

O enterro se dá geralmente no final da tarde. Caso se tenha optado pela cremação, as cinzas são lançadas ao Oceano Pacífico, acompanhadas de muitas flores, e uma pequena “procissão” em caiaques e pranchas de surfe.

Os havaianos acreditam que a cerimônia de despedida serve, principalmente, para celebrar a vida daqueles que se foram, e consolar seus entes queridos, lhes permitindo seguir em frente.

No vídeo abaixo, você confere a despedida do cantor havaiano Israel Kamakawiwo’ole, conhecido como IZ.

Fonte: Joan Namkoong. Family Traditions in Hawaii. Honolulu: Bess Press, 2004.

Costumes modernos

12/05/2011

Você sabia que muito de nossos costumes em funerais tem suas bases históricas em rituais pagãos? Veja algumas curiosidades:

  • As roupas modernas do luto vieram do costume de vestir um traje especial para esconder a identidade dos espíritos que retornavam do além. Os pagãos acreditavam que esses espíritos não conseguiriam reconhecer alguém se não estivesse usando roupas do dia a dia.
  • Cobrir o rosto de um doente com um lençol vem da crença de tribos pagãs que acreditavam que o espírito do doente escaparia pela boca. Com frequência se segurava boca e nariz de uma pessoa esperando que assim o espírito ficasse preso ao corpo e adiasse a morte.
  • Servir o que comer em um enterro surge como uma parte essencial dos rituais primitivos de funeral onde a comida fazia parte de oferendas
  • Velórios seguem costume nos dias de hoje advindos de tradições antigas de observar o morto na esperança de que retornasse à vida
  • A luz de velas vem do uso do fogo na tentativa de proteger os vivos dos espíritos
  • A prática de soar sinos vem de uma crença muito comum durante o período medieval de que o som do sino mantinha os espíritos afastados
  • Flores eram oferecidas originalmente com a intenção de agradar o espírito do falecido
  • Música em funerais tem suas origens em cantos antigos destinados a acalmar os espíritos

Fonte: Revista Super Interessante / Wikipedia

Curiosidades sobre o osoushiki (funeral japonês)

02/05/2011

O ritual de falecimento dos japoneses tem várias curiosidades interessantes. Quando possível, os japoneses trazem a pessoa que faleceu para passar uma última noite em sua própria casa, e “descansar em seu próprio futon uma última vez”. Familiares e amigos prestam uma última visita e despedir-se da pessoa falecida. Na manhã seguinte o corpo é levado em lenta procissão ao local onde os serviços de preparo do corpo serão feitos, caso não sejam feitos na própria residência. Dependendo da preferência da família, pode ser um templo ou uma casa funerária. Como em vários lugares do mundo, no Japão a maioria das pessoas se veste de preto para ir a velórios.

Os familiares a amigos que chegam a um funeral costumam  deixar presentes em num envelope chamado KÕDEN, que no sentido literal quer dizer contribuição para compra de incenso e é oferecido à família enlutada. Esses envelopes são encontrados em papelarias e lojas de conveniência, e os valores doados variam de acordo com o grau de relacionamento que se tinha com a pessoa que faleceu. No envelope deve constar o nome da pessoa que está fazendo a doação, para que a família depois providencie agradecimentos.

Evita-se dar somas em dinheiro com o número 4, ou quatro cédulas de dinheiro (o número 4 em japonês tem o mesmo som da palavra “morte”, e isso é considerado uma gafe).

Fonte: culturajaponesa.com.br

O ´Deus vivo’ da Índia, é enterrado por seus devotos

30/04/2011

Sathya Sai Baba, líder espiritual indiano adorado por milhões de pessoas ao redor do mundo, foi enterrado na última quarta-feira. A cremação é a prática mais comum nos funerais indianos, mas o guru foi enterrado de acordo com o costume atribuído aos homens santos. Sai Baba teve corpo preparado com óleos, flores, urina de vaca e água de nove rios sagrados. Também foram lidos textos hindus sagrados, assim como escrituras cristãs, islâmicas, sikhs e budistas.

Os milhões de seguidores no mundo todo atribuem ao guru poderes sobrenaturais, como fazer objetos aparecerem ou curar doenças em fase terminal. Sua organização fundou projetos sanitários e educativos em toda a Índia, incluindo hospitais e clínicas, que asseguravam poder curar doenças. O guia era considerado por seus devotos como a reencarnação de um homem sagrado, Sai Baba de Shirdi, que morreu em 1918.

Um de seus maiores seguidores e que mais lhe ajudou economicamente foi o ex-proprietário da rede de restaurantes Hard Rock Café, Isaac Burton Tigrett, que viveu em Puttaparthi e doou grande parte de sua fortuna à fundação de Sai Baba. Entre outros admiradores encontram-se o ex-premiê da Índia Atal Bihari Vajpayee, a lenda do críquete indiano Sachin Tendulkar e a atriz de Hollywood Goldie Hawn.

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