Sinuca embaixo d’água

02/06/2011

Hoje temos mais uma dica literária para os leitores do blog In Memoriam. A indicação é Sinuca embaixo d´água, de escritora gaúcha Carol Bensimon.

Sinuca embaixo d’água é uma história construída em torno de uma ausência. Sete personagens narram um momento de luto, depois que Antônia, uma garota na casa dos vinte anos, morreu num acidente de automóvel.  Boa parte dos episódios transcorre no bar do Polaco. Às margens de um lago, os fundos do bar abrigam um salão de sinuca – metade do estabelecimento fica dentro d’água. O local é frequentado por Camilo, irmão rebelde de Antônia, que tinha uma relação especial com a irmã: entre a adoração e o instinto protetor. Sua principal ocupação é montar e desmontar carros antigos.

Sinuca embaixo d’água é o romance do luto de três personagens principais — o namorado Bernardo, irmão Camilo e o dono do bar, Polaco –, de quatro pequenas histórias paralelas e do bar. Cada personagem encara a morte de sua maneira.

No vídeo abaixo, a escritora relata o processo de criação da obra. Carol Bensimon foi indicada ao prêmio Jabuti de literatura, em 2010, junto a nomes como Chico Buarque, Luis Fernando Veríssimo e João Ubaldo Ribeiro.

Leia um trecho do livro clicando aqui

Elogio da sombra de Jorge Luis Borges

31/05/2011

A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão)

pode ser o tempo de nossa felicidade.

O animal morreu ou quase morreu.

Restam o homem e sua alma.

Vivo entre formas luminosas e vagas

que não são ainda a escuridão.

Buenos Aires,

que antes se espalhava em subúrbios

em direção à planície incessante,

voltou a ser La Recoleta, o Retiro,

as imprecisas ruas do Once

e as precárias casas velhas

que ainda chamamos o Sul.

Sempre em minha vida foram demasiadas as coisas;

Demócrito de Abdera arrancou os próprios olhos para pensar;

o tempo foi meu Demócrito.

Esta penumbra é lenta e não dói;

flui por um manso declive

e se parece à eternidade.

Meus amigos não têm rosto,

as mulheres são aquilo que foram há tantos anos,

as esquinas podem ser outras,

não há letras nas páginas dos livros.

Tudo isso deveria atemorizar-me,

mas é um deleite, um retorno.

Das gerações dos textos que há na terra

só terei lido uns poucos,

os que continuo lendo na memória,

lendo e transformando.

Do Sul, do Leste, do Oeste, do Norte

convergem os caminhos que me trouxeram

a meu secreto centro.

Esses caminhos foram ecos e passos,

mulheres, homens, agonias, ressurreições,

dias e noites,

entressonhos e sonhos,

cada ínfimo instante do ontem

e dos ontens do mundo,

a firme espada do dinamarquês e a lua do persa,

os atos dos mortos,

o compartilhado amor, as palavras,

Emerson e a neve e tantas coisas.

Agora posso esquecê-las. Chego a meu centro,

a minha álgebra e minha chave,

a meu espelho.

Breve saberei quem sou.


Jorge Luis Borges nasceu em 1899 na cidade de Buenos Aires, capital da Argentina e faleceu em Genebra, no ano de 1986. É considerado o maior poeta argentino de todos os tempos e é um dos mais importantes escritores da literatura mundial. O poema acima foi extraído do livro “Elogio da Sombra”, Editora Globo – Porto Alegre, 2001, pág. 81 (tradução: Carlos Nejar e Alfredo Jacques; revisão da tradução: Maria Carolina de Araújo e Jorge Schwartz).

De frente para o Sol

31/03/2011

A partir de hoje, e uma vez por semana, vamos postar dicas de leitura para você que acompanha o blog da Cortel. A dica de hoje é do livro De Frente Para o Sol do psiquiatra e escritor norte-americano Irvin  Yalom, autor de Quando Nietzsche chorou, best seller mundial.

Por trás das nossas angústias, vive o fantasma da morte. Embora as religiões cumpram o papel de nos oferecer uma resposta para nossa existência, sobre a morte todas as nossas construções são imaginárias. A morte não deve ser temida. De certa forma, somos todos imortais, uma vez que algo de nós se transmite aos que nos rodeiam e aos nossos herdeiros por meio do que Yalom chama de propagação. Este livro se propõe a ser um guia acessível a todos aqueles – tanto leitores comuns quanto psicoterapeutas – que desejam fazer uma reflexão mais aprofundada sobre os mistérios que para cada um de nós abriga o futuro e o destino. Um olhar sem hesitação para a morte constitui a mensagem de Irvin D. Yalom, que sugere a necessidade de analisá-la com a mesma independência que temos para confrontar outros medos.

O livro apresenta análises psicológicas de pessoas que sofreram com problemas relacionados à morte de forma inconsciente, e tiveram oportunidades de aflorá-los com a ajuda profissional.
Apesar da conhecida posição religiosa do autor, o texto flui de forma leve, sem drama ou preconceito. Pelo contrário, todas as citações são extremamente responsáveis e éticas.

Leia um trecho do livro aqui.

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