Centenário de Nelson Rodrigues

23/08/2012

Nelson Rodrigues, que estaria completando 100 anos nesta quinta-feira (23), foi chamado de pornográfico, imoral, louco, reacionário, tudo isso ao revolucionar o teatro brasileiro, em meados do século 20.
Pernambucano que se mudou para o Rio de Janeiro ainda criança, ele começou a vida como jornalista e estreou no teatro em 1941, com a peça A Mulher sem Pecado. Apenas dois anos depois, escreveu Vestido de Noiva, peça narrada em três planos – alucinação, memória e realidade – que se tornou um enorme sucesso de público e crítica.
De acordo com o diretor de teatro Marco Antônio Braz, Nelson Rodrigues está para o teatro brasileiro como a Semana de 22 está para a literatura. Foi ele quem trouxe a coloquialidade, um olhar agudo sobre a realidade do povo e da classe média e fez com que a dramaturgia do País finalmente chegasse em sua fase adulta – enfrentando todas as críticas e censuras impostas ao seu trabalho.
Além do teatro, Nelson nunca deixou de escrever em jornais. Seus contos – em especial a famosa série A Vida Como Ela É… – são retratos deliciosamente trágicos da classe média brasileira, principalmente aquela da Zona Norte carioca, onde cresceu. Suas crônicas sobre futebol ¿ ele era um fanático torcedor do Fluminense – também são relatos impressionantes do esporte que mais desperta paixão entre os brasileiros.

Centenário de Jorge Amado

22/08/2012

A intimidade com que expôs traços, costumes e contradições da cultura brasileira foram fatores por trás da popularidade que Amado desfrutou em vida. Mas no centenário de nascimento do escritor baiano, o reconhecimento sobre a importância de sua obra continua a crescer no Brasil e no exterior.

Amado é um dos escritores brasileiros mais conhecidos internacionalmente, com obras publicadas em 49 línguas e 55 países. O interesse aumentou com a aproximação do centenário. Nos últimos três anos, pelo menos 45 contratos foram fechados com editoras estrangeiras para a publicação de seus livros, conta Thyago Nogueira, editor responsável por sua obra na Companhia das Letras.

O centenário motivou uma série de seminários e eventos comemorativos em cidades como Salvador, Ilhéus, Londres, Madri, Lisboa, Salamanca e Paris. A reverberação lembra a frase do escritor moçambicano Mia Couto, para quem Amado fez mais para projetar a imagem do Brasil lá fora do que todas as instituições governamentais reunidas. ‘Jorge Amado não escreveu livros, escreveu um país’, afirmou Couto em 2008, em uma palestra em que prestou testemunho sobre a forte influência do autor sobre escritores africanos.

Amado nasceu em 12 de agosto de 1912 em Itabuna, na Bahia, e escreveu quase 40 livros, com um olhar aguçado sobre os costumes e a cultura popular do país. Ele faleceu em 2001.

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