A Alemanha mudando seus rituais

26/10/2011

Nos últimos anos, vem crescendo na Alemanha a demanda por um novo tipo de serviço funerário. Saem músicas sacras e clássicas, entram canções de pop e rock; saem os sermões dos pastores, entram depoimentos voluntários e improvisados de pessoas próximas; saem as grandes cerimônias e entram ritos mais simples, com maior envolvimento de familiares e amigos.

Instituto Pütz-Roth, Alemanha

“O mais importante é que aqui não são os mortos a ocupar o primeiro plano, mas sim aqueles que têm que seguir vivendo com a perda de um ente querido. Inspiro-me no pensamento da poetisa judia alemã Mascha Kaléko, que expressou isso de forma maravilhosa: ‘Só se morre a própria morte. A dos demais, tem-se que viver'”, diz o responsável pelo Instituto Pütz-Roth, uma das empresas voltadas a essas novas práticas funerárias.

Entre as práticas mais comuns estão as sepulturas e urnas personalizadas, balões de gás soltos ao final das cerimônias, e o espargir das cinzas em bosques, sobre as raízes de árvores.

Jardim funerário em Bergish-Gladbach

Fonte: DW-World

Berlim, palco de um funeral dividido

16/09/2011

Durante a Guerra Fria, na segunda metade do século passado, a Alemanha foi dividida entre as duas vertentes políticas dominantes: de um lado, o país era socialista, de outro, capitalista. A capital, Berlim, também sofreu essa divisão, e um muro foi construído no meio da cidade, na vila Klein-Glienicke, dividindo a população, os governos e as ideologias. E também algumas famílias.

Em Setembro de 1962, quando, ainda não havendo o muro, uma cerca de arame farpado vigiada constantemente cumpria o papel de divisória, a vila assistiu a um funeral diferente. De um lado, a mãe que recebia as últimas homenagens, do outro suas duas filhas que assistiam à cerimônia.

O sacerdote decidiu fazer seu sermão próximo a cerca, e ergueu a voz para que as filhas pudessem acompanhar, mesmo que distantes, o ritual. Ruth Hermann, neta que esteve presente ao funeral diz “Nós não podíamos passar para lá – havíamos fugido para o Oeste pouco tempo antes. Meu pai, minha mãe e minha tia estavam enlutados e sob proteção policial, no lado Oeste”. Do outro lado do arame farpado, a família podia ver o cortejo, o sacerdote e o caixão, mas não podiam cruzar a cerca.

O jornal alemão Berlinen Morgenpost capturou imagens da cerimônia e as publicou, na época, como você pode ver abaixo.

Fonte: BBC

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