Funeral ganês: dançar, se divertir , beber

15/04/2011

Os irlandeses podem ser conhecidos por sua alegria, mas os ganeses estão ganhando a fama de ser alegres até depois da morte. Na cidade de Nova Iorque, os funerais comandam o calendário social de uma comunidade de imigrantes desta nação do oeste africano.

A pista de dança está lotada, os drinks estão sendo servidos e uma turma de jovens mulheres com cortes de cabelo estilosos e saltos altíssimos recém chegaram, prontas para cair na festa. A festança, na verdade, é o funeral de Gertrude Manye Ikol, uma enfermeira de 65 anos, de Gana, que faleceu.

Oferecidos quase todos os finais de semana em salões paroquiais e salões de festas pela cidade, a programação ocupa a noite toda, com bebida liberada e música para tremer o quarteirão. O corpo do falecido pode ou não estar presente. As crenças podem ser evangélicas, católicas ou laicas. O falecido pode ter morrido em Nova Iorque ou na África, há poucos dias ou há meses. Mas todos os funerais tem o mesmo objetivo – festas para arrecadar fundos para familiares enlutados.

Casamentos, batizados e aniversários são comemorados normalmente nas famílias ganesas, mas poucos desses eventos alcançam o sucesso de um memorial. As festas são amplamente divulgadas, noticiadas com semanas de antecedência através de convites online ou com pilhas de flyers, distribuídos em restaurantes e mercados africanos.

Os folhetos lembram cartazes de teatro, com fotos da família em luto e amigos.

Os eventos reunem enfermeiras, estudantes, cientistas e motoristas de táxi ganeses, procurando diversão no dia a dia da vida de imigrante em Nova Iorque.

Como em Gana, convidados de um funeral não precisam necessariamente conhecer o falecido ou sua família. Mas se espera respeito aos enlutados, se jogar na pista de dança e doar de 50 a 100 dólares – que muitos não pagam – para ajudar no envio do corpo a África ou cobrir outros custos. Os funerais normalmente iniciam em torno das 22 horas, com bênçãos religiosas, cerimônias e discursos. À meia noite, a pista de dança é aberta. Às duas da manhã, os convidados que não conhecem o falecido chegam e a festa está só começando.

Fonte: New York Times, revista National Geographic

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