Animados cemitérios medievais

22/06/2011

Na antiguidade, os locais reservados ao sepultamento eram, geralmente, mais retirados e distantes dos locais de povoamento. Durante a Idade Média ocidental, por conta do Catolicismo dominante na Europa e sua crença na ressurreição e no Juízo Final, a prática de sepultamento próxima a túmulos de santos e campos consagrados tornou-se comum, e os pátios e átrios de igrejas se tornaram o lugar sagrado destinado a abrigar os mortos. Os cemitérios passaram, então, a ser o coração social e cultural de muitas cidades e vilas.

Viajantes, peregrinos e sem-teto fizeram dos campos sagrados locais de moradia, permanente ou provisória. Os padres, em virtude da falta de espaço nas igrejas, pregavam seus sermões aos fiéis em meio aos cemitérios, agregando ao discurso religioso toda a reflexão causada pela presença dos túmulos.

As constantes peregrinações da época e as reuniões populares, tanto laicas quanto religiosas, atraíam várias formas de comércio, de tendas e lojas a tabernas. As constantes aglomerações de pessoas fizeram dos cemitérios também peças chave da administração pública; sentenças, decretos e proclamas eram publicitados em meio aos túmulos. Joana D’Arc, por exemplo, foi publicamente julgada no cemitério de Rouen, na França.

Muitas dessas práticas duraram até o século XVIII, quando as reuniões e anúncios públicos passaram a ser realizadas nas prefeituras.

Fonte: História Viva

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